Após cinco dias de espera angustiante pelos benefícios, professores e servidores aposentados protestam contra o silêncio do Prefeito Augusto Alves. Movimento consegue audiência forçada, enquanto Carta Aberta denuncia manobra financeira que quebrou o TangaraPrev.
Por Redação Correio do Trairi Segunda-feira, 30 de Março de 2026
A paciência esgotou. O que deveria ser um dia normal de feira livre em Tangará, nesta segunda-feira (30), transformou-se em um cenário de indignação e cobrança. Desde o dia 25 de março, aposentados e pensionistas do município aguardam, em vão, o pagamento de seus benefícios. Sem respostas e diante da inércia na comunicação por parte da gestão do Prefeito Augusto Alves, o grupo decidiu agir.
Professores aposentados e demais servidores municipais que dedicaram uma vida inteira ao serviço público não suportaram mais o descaso e foram para a frente da sede da Prefeitura. Com faixas, cartazes e palavras de ordem, eles protestaram, reivindicaram e cobraram o cumprimento de seus direitos básicos: o salário em dia.
O Retorno do Diálogo (À Força)
Enquanto o manifesto ocorria do lado de fora, o prefeito Augusto Alves encontrava-se em reunião com seu secretariado. Diante da pressão popular e do barulho que ecoava das ruas, a administração foi forçada a romper o silêncio.
Em um desdobramento que traz um fio de esperança e marca, enfim, o reaparecimento do diálogo – algo que vinha fazendo falta na atual gestão – o prefeito marcou uma audiência ainda para o dia de hoje, em seu gabinete, com representantes do movimento de resistência. A população e os segurados agora esperam, ansiosamente, por uma solução concreta e imediata para o impasse financeiro.
A Raiz do Problema: A “Manobra do Réveillon”
Para entender por que o dinheiro sumiu do TangaraPrev apenas três meses após o início do ano, é preciso voltar ao dia 31 de dezembro de 2025. Uma professora aposentada, que também atua como conselheira da previdência e sindicalista, divulgou uma Carta Aberta à população (leia na íntegra abaixo), detalhando as articulações políticas que levaram à atual catástrofe.
Segundo a denúncia, o Prefeito Augusto Alves, junto à sua base de sustentação na Câmara de Vereadores, votou de forma açodada na véspera do Ano Novo o Projeto de Lei 042/2025. Esta lei diminuiu a contribuição suplementar do Patronal (Prefeitura) de 18,47% para pífios 7,41%.
Essa manobra, junto com um novo plano de amortização financeira atuarial, beneficiou exclusivamente o caixa da Prefeitura (o ente), sem prezar pelo equilíbrio contas do TangaraPrev. O resultado prático foi imediato: no terceiro mês após a aprovação da lei, o instituto já não consegue os recursos necessários para honrar o pagamento dos seus segurados.












