IMPOSIÇÃO E INCERTEZA: A POLÊMICA DO BANCO MENTORE NA PREFEITURA DE TANGARÁ

A gestão municipal de Tangará volta a ser alvo de intensos debates e preocupações por parte dos servidores públicos. O pivô da vez é o Mêntore Bank (Mentore Instituição de Pagamento S/A), a plataforma digital imposta pela prefeitura para a administração e o pagamento da folha salarial do funcionalismo. O que deveria ser uma modernização administrativa tem se revelado um verdadeiro “teste de paciência” e segurança para centenas de trabalhadores.

A Diferença que Gera Medo: Banco ou Fintech?

A principal crítica levantada por especialistas e pelos próprios servidores é a natureza da instituição. Conforme dados do Banco Central (BC), o Mêntore não é um banco comercial clássico, mas sim uma Instituição de Pagamento (IP).

Diferente de gigantes como o Banco do Brasil ou a Caixa, onde os servidores tradicionalmente mantinham suas contas, as instituições de pagamento possuem regras de capital e garantias distintas. Para o servidor de Tangará, a pergunta que fica no ar é: meu salário está seguro em uma plataforma que não possui agência física para atendimento em caso de erros?

O Histórico de Reclamações

Desde que a transição foi anunciada, o descontentamento tomou conta das redes sociais e dos corredores da prefeitura. Os principais pontos de dor relatados pelos servidores incluem:

    • Dificuldade na Portabilidade: Relatos de que o processo para transferir o salário para outras instituições (direito garantido por lei) é burocrático e, por vezes, apresenta falhas.

    • Falta de Suporte Físico: Em uma cidade como Tangará, a ausência de um ponto de apoio presencial para resolver problemas de aplicativo ou senhas bloqueadas gera exclusão, especialmente para servidores mais idosos.

    • Instabilidade no Sistema: Queixas sobre atrasos no processamento dos valores e dificuldades em realizar operações simples de PIX ou pagamento de boletos em datas críticas.

Transparência Sob Suspeita

A escolha de uma “fintech” de fora do estado para gerir milhões de reais da folha de pagamento levanta questionamentos sobre os critérios da licitação ou do contrato de parceria. Por que abandonar instituições sólidas e com capilaridade física por uma plataforma digital que já foi alvo de abaixo-assinados e críticas em outras regiões do país?

Vale lembrar que a administração municipal já enfrenta pressões devido a outros problemas fiscais, como o rombo na previdência municipal (Tangará Prev), o que só aumenta a desconfiança do servidor: se o repasse da previdência falha, como confiar na gestão do salário mensal em um banco digital imposto?

O Lado do Servidor

“A gente se sente refém. Ninguém perguntou se queríamos mudar. Simplesmente disseram que agora é pelo Mentore e pronto”, desabafou um servidor que preferiu não se identificar. A sensação de “imposição” é o que mais fere a categoria, que vê sua liberdade de escolha financeira cerceada por decisões de gabinete.


O Correio do Trairi continuará acompanhando os desdobramentos desta situação. O espaço está aberto para que a Prefeitura de Tangará e os representantes do Mêntore Bank apresentem suas justificativas e soluções para os problemas relatados pelos servidores.

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