O trânsito em nosso município tornou-se o centro de um debate acalorado nesta segunda feira, (20/04/2026). O Vereador Paulo Anderson (MDB) na Sessão Plenária, apresentou o Requerimento nº 016/2026, solicitando que a Prefeitura, a Guarda Municipal e a Polícia Militar intensifiquem a fiscalização nas ruas. O foco? Uso de capacete, respeito à sinalização e prioridade aos pedestres.
Embora o discurso de “preservação da vida” e “trânsito seguro” seja tecnicamente correto e fundamentado no Código de Trânsito Brasileiro, a iniciativa acendeu um sinal de alerta para milhares de cidadãos, especialmente os que vivem na zona rural.
O Lado B da Fiscalização: O Impacto no Trabalhador
A realidade das nossas estradas vicinais é conhecida: o trabalhador utiliza, muitas vezes, motos antigas e desgastadas pelo tempo para conseguir chegar à cidade. Para muitos, esse veículo é o único meio de sustento e transporte.
Ao solicitar que a Polícia Militar e a Guarda Municipal ocupem as ruas com foco em fiscalização, o vereador Paulo Anderson abre uma porta perigosa. O que começa como “blitz educativa” invariavelmente termina em apreensões e multas. Para quem tem uma moto velha, cujo valor de mercado muitas vezes é menor que as taxas de emplacamento e multas acumuladas, o rigor da lei significa perder o seu único instrumento de trabalho.
Segurança ou Perseguição?
Outro ponto crítico levantado por populares é a questão da segurança pública. Em um passado não tão distante, o uso do capacete foi associado ao aumento de assaltos, já que facilitava o anonimato de criminosos.
Além disso, a população já convive com as operações semanais da Polícia Federal, que já atua de forma ostensiva na região. Trazer a PM e a Guarda Municipal para um patrulhamento focado em infrações de trânsito pode ser visto como um “tiro no pé” político, gerando uma sensação de perseguição contra a classe mais humilde.
A Solução Esquecida: O DEMUTRAN no Papel
Se o objetivo do vereador Paulo Anderson é realmente educar e organizar o trânsito sem massacrar o bolso do cidadão, o caminho poderia ser outro. Vale lembrar que o município já possui legislação própria para o trânsito, criada ainda na gestão de Gija (irmão do atual prefeito).
O questionamento que fica é: Por que o vereador não foca seus esforços em convencer o prefeito a tirar o DEMUTRAN do papel?
Com um órgão municipal funcionando com independência administrativa, o município poderia focar em:
- Campanhas educativas massivas no rádio e redes sociais.
- Uso de carros de som para conscientização.
- Sinalização adequada das vias antes de punir o condutor.
Conclusão
A intenção de reduzir acidentes é válida, mas a estratégia de Paulo Anderson pode desencadear um problema social grave. Entre o rigor da lei e a realidade social do nosso povo, existe um abismo que não pode ser ignorado. Fiscalizar é preciso, mas sem esquecer que, por trás de cada guidão de moto, existe um cidadão lutando para sobreviver às dificuldades econômicas.
O povo quer educação e segurança, não mais multas e apreensões.